Embora natural do Rio de Janeiro, onde nasceu a 22 de julho de 1885, filho de pai mineiro, o Coronel Rodolfo Ernesto de Abreu, e de mãe carioca, Ana Pastorino de Abreu, uma das figuras femininas mais sugestivas, pela sua bondade e pelo seu esclarecido senso das coisas domésticas, que já conheci, Diaulas Abreu é autentico barbacenense de prol pelo muito que se dedicou, desde a sua juventude, à terra que elegeu para as suas atividades profícuas de benemérito apóstolo do estudo e do ensino da agricultura e nosso país.
Diaulas Abreu fez o curso primário, como os seus demais irmãos, em casa, ministrado pelo professor, poeta e orador de grande talento, Sinfrônio Cardoso, natural de Sergipe e tio de Maurício Cardoso, que foi figura de realce na política do Rio Grande do Sul, deputado federal por esse Estado e Ministro da Justiça no Governo Provisório do Presidente Getúlio Vargas, no qual foi estrênuo paladino da imediata reconstitucionalização da República. Fez Diaulas Abreu curso de humanidades no Externato Aquino, habilitando-se na Instrução Pública, com a prestação de exames preparatórios, para ingressar na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais da Capital Federal, pela qual se bacharelou em Ciências Jurídicas e Sociais.
Bacharel em Direito, não se dedicou, como fez seu irmão Sílvio, à advocacia. Sempre devotado, por natural vocação aos assuntos agrícolas, auxiliava, desde quando cursava a Faculdade de Direito, ao seu ilustre progenitor na organização agrícola com que o Coronel Rodolfo Abreu quis e conseguiu magníficas demonstrações do quanto se pode obter com a cultura inteligente do nosso solo, da terra em tal modo graciosa, que, na expressão de Pero Vaz de Caminha, em se plantando dar-se-á nela tudo.
Ao ser expedido, em 1910, o Regulamento do Ensino Agronômico no Brasil, adquirida pelo Governo Federal a propriedade do Coronel Rodolfo Abreu para nela se instalar, em Barbacena, Aprendizado Agrícola Rodolfo Miranda, então Ministro da Agricultura, tendo em conta as demonstrações de proficiência e de capacidade de Diaulas Abreu, proveu-o, por portaria de 14 de novembro daquele ano, na direção do novo estabelecimento de ensino, cabendo-lhe, por força do citado regulamento, simultaneamente, a regência da cadeira de Agricultura e o encargo da respectiva seção no curso do Aprendizado de Barbacena como de a classe.

Em 1927, Diaulas Abreu pleiteou a criação no Aprendizado Agrícola sob a sua direção, do curso de chefe de culturas, conseguindo-a e, conseqüentemente, elevando-se a médio o grau de ensino, até então elementar, aí professado. Ainda nesse ano, por aviso ministerial de 14 de abril, foi designado para, sem prejuízo das funções de seu cargo e sem maiores vantagens, reger a quarta cadeira do curso recém-criado no Aprendizado.
A situação de eficiência e de prosperidade resultante da sábia orientação dada por Diaulas Abreu ao Aprendizado Agrícola de Barbacena permitiu ao Governo da República, quando titular da pasta da Agricultura o Major Juarez Távora, transformá-lo pelo Decreto nº 22.394 de 13 de julho de 1933, na atual Escola agrícola, destinada a funcionar como estabelecimento padrão para o ensino médio da Agricultura no Brasil. Por essa ocasião, foi Diaulas Abreu investido na direção da Escola e nomeado professor da sua quarta cadeira.
No exercício dos cargos que lhe foram confiados, Diaulas Abreu projetou, construiu e instalou todos os campos de culturas do Aprendizado e, depois, da Escola Agrícola de Barbacena, compreendendo pomares, vinhedos, viveiros de plantas e horta modelo com as respectivas estradas.
Quase todos os pomares e vinhedos foram estabelecidos, aí, em magníficos terraços, alguns dos quais já construídos por seu progenitor (tendo sido Rodolfo Abreu o primeiro a introduzir o sistema de culturas em terraços no Brasil), com sua colaboração, antes da venda da propriedade ao Governo Federal em 1910. entre eles os da Colina, onde foram construídos os belos prédios da sede do estabelecimento.
Entre os campos de culturas e de demonstração estabelecidos por Diaulas Abreu é digna de menção a horta modelo da Escola, com sistema de irrigação por ele idealizado em projeto que mereceu o primeiro prêmio em Exposição de Horticultura realizada na então capital da República.
Projetou e executou, também, Diaulas Abreu a reforma dos prédios principais do estabelecimento, bem como de suas instalações. Construiu, ou finalizou a sua construção, os demais prédios destinados às diversas dependências da Escola, com projetos todos de sua autoria e todos aprovados pelas autoridades competentes sem qualquer alteração. Entre essas construções destacam-se as pocilgas, estábulos e creches para bezerros, de concepções originais de muito valor sob o ponto de vista prático e higiênico, notadamente os banheiros para suínos, os mais racionais até então concebidos, segundo a opinião dos técnicos. Digno de nota pela maneira primorosa por que foi instalado é, também, o Laboratório de Química da Escola, com várias particularidades que revelam, ainda, na idealização de vários utensílios, ferramentas e aparelhos agrícolas de cunho eminentemente prático e satisfazendo, ao mesmo tempo, a todos os requisitos técnicos.
Construiu Diaulas Abreu parque da Escola Agrícola, projetado pelo Arquiteto-Paisagista Arsene Puttemans, projetando e realizando os demais parques e jardins da Escola, bem como jardins nos terrenos da Fábrica de Fiação e Tecelagem Ferreira Guimarães e o da Chácara do Dr. J. M. Moura Costa, todos em Barbacena, tendo elaborado os projetos de regulamento e de regimento interno do antigo Aprendizado Agrícola, do Curso de Chefe de Culturas e da Escola Agrícola de Barbacena, expedidos pelo Governo, exercido diversas comissões de confiança junto aos Gabinetes do Ministério da Agricultura, nos anos de 1918 a 1920 e 1921, e participando de duas comissões organizadas pelos Ministros Miguel Calmon e Fernando Costa, para reoorganização do ensino agronômico nacional. Foi, também, Diaulas Abreu incumbido, por este último, ministro de apresentar projeto de instalação do Aprendizado Nilo Peçanha, no km 47 da Estrada Rio-São Paulo, onde o Governo se empenhou em construir o nosso maior centro de ensino e pesquisas agronômicas, projeto este aprovado, sem restrições pelo ministro. Ainda por determinação do mesmo ministro, apresentou Diaulas Abreu projeto para a instalação das oficinas da Escola Nacional de Agronomia, naquele Centro.
Diaulas Abreu serviu, também, no Lloyd Brasileiro, na qualidade de oficial de gabinete do presidente da empresa e de superintendente do abastecimento, na presidência Sá Freire, prestando à administração daquela empresa de navegação os mais assinalados serviços, principalmente na Superintendência do Abastecimento.
Do exposto se vê que Diaulas Abreu prestou ao país permanentes serviços, os mais inteligentes e profícuos, que o consagraram, na especialidade a que se dedicou, como orientados seguro em assuntos de agricultura.
Com esses serviços conquistou para si a justa nomeada de técnico de real valor em ensino agrícola, contribuindo, com a sua atuação, para dar realce a Barbacena como sede da Escola Agrícola a que a sua direção deu belo renome.
Em Barbacena constituiu Diaulas Abreu a sua distintíssima prole, resultando de seu casamento com Edith Teixeira, filha do notável cirurgião, no Rio de Janeiro, Dr. Carlos Teixeira e de Adélia de Lima Teixeira, esta carioca e aquele mineiro, natural de São João del Rei, dois filhos Geraldo Teixeira de Abreu, agrônomo, assistente de física dos cursos complementar e de aperfeiçoamento e especialização da Escola Nacional de Agronomia, casado com Nazareth Tamm Bias Fortes de Abreu, filha de José Francisco Bias Fortes e de Francisca Tamm Bias Fortes, e Dulce Abreu, formoso talento literário, que abrilhantou as páginas da Cidade de Barbacena com inspiradas produções poéticas.
As credenciais de Diaulas Abreu, herdeiro das qualidades de energia dinâmica de seu pai e da infinita bondade de sua mãe, ao título de barbacenense de prol são, as mais valiosas. Incluindo-o na galeria dos que merecem de Barbacena gratidão e estima, cumprimos, por amor à justiça, este grato dever.
Transcrito por Simão de Almeida
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